Estudos e mais estudos..

Muito se tem falado e escrito sobre o descontentamento da juventude portuguesa no modo como a sua democracia funciona e na suposta imobilidade do povo português pela procura de trabalho. A estas conclusões chegaram estudos levados a cabo pelo Secretário de Estado da Juventude e Desporto e pelo IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional). Haveria muito a escrever sobre estes resultados, que critérios e metodologia suportam tais teses e quem realmente servem, se é que servirão para algum efeito. Podem-nos acusar de muita coisa, menos de “estudo” veja-se a quantidade de jovens licenciados no desemprego, portanto estudiosos. Este tipo de estudo sempre foi feito, uma vez levantado o problema, agimos sempre da forma mais célere possível para uma breve resolução do mesmo. Temo uma vez mais que não seja valorizado o real profissionalismo e empenho dos nossos decisores políticos.

O estudo, o conhecimento, a sabedoria apenas nos fornecem fundações basilares teóricas sobre como devemos aplicar os conceitos e reger a nossa acção mediante determinados valores que esses mesmos conceitos sustentam.

Portugal atulhou-se de falsos teóricos.

Desígnio Utópico

A ideia de utopia pressupõe algo inatingível e irreal, todavia proponho-me a questionar a definição desse termo dada muitas vezes por adquirida. Se a utopia é algo inacessível, então porque tanto, mas tanto no quotidiano se anseia? Onde está essa ilha que Thomas More tão bem descreveu e cuja assegurou a felicidade geral? Para isso responderei da melhor forma que encontrei, que não é nada mais do que o levantar de algumas questões:

Será a guerra contra a necessidade uma utopia?

Será utópico pensar não impor ao homem tarefas, tendo por base a ideia de cidadão-produtor?

Será utópico achar que o ócio apenas leva ao comodismo e à inacção?

Seria utópico pensar um retorno à origem, em que a mera constatação dos verdadeiros direitos naturais se sobrepõe a qualquer tentativa de sua deturpação?

Será utópico considerar a redução da pessoa à plena adoração da vida?

Não. Se tudo isto de utópico se tratasse julgaria não querê-lo, admito poder estar errado, contudo esse erro encerra em si aquela mesma ideia de utopia…

Concluo este artigo com Agostinho da Silva: “..um império do futuro precavido e purgado dos males que arruinaram os anteriores, sem manias de mando, ambições de ter e de poder, sem trabalho obrigatório, sem prisões e sem classes sociais, sem crises ideológicas e metafísicas. Esse já não era o império europeu, dessa Europa ávida de saber e de poder, e por isso esgotada como modelo para os outros 80% da humanidade, menos ávida de poder e mais preocupada com o ser.”

ACR